Entrevista com Jocimar Vaz

O entrevistado da Figura do Mês de Novembro é o Jocimar, que antes de se tornar colaborador da Sonner, fez um pouco de tudo na Prefeitura de Lavras. Confira a entrevista completa para entender a jornada de sucesso do nosso Suporte Especialista Tributário.

Como começou a sua história na Sonner?

Eu trabalhava na Prefeitura em Lavras… Na verdade, meu primeiro emprego foi na prefeitura e por coincidência já na área tributária. Antes de eu trabalhar na prefeitura, eu já mexia na área tributária da prefeitura. Porque quando eu estava servindo o exército, a prefeitura precisava de recadastradores de área e tinham urgência de entregar o serviço. Precisavam do maior número de pessoas para ajudar e tinham um mês para fazer o serviço. Aí foram onde eu estava servindo o exército e ofereceram o serviço para os atiradores que queriam, então eu entrei. Trabalhei saindo de casa em casa, medindo as casas para atualização de áreas para cadastro de IPTU. Foi no final do exército, eu saí do exército e coincidentemente meu pai conhecia o secretário de governo da prefeitura, que ficava abaixo do prefeito, perguntou se não estavam precisando e tal e me chamou.

Eu saí do exército fui para a prefeitura, fiquei 3 meses, depois mais 3. Aí eles falaram “nós gostamos do seu serviço”. Tinha muita gente pedindo para entrar nesse convênio e eu sem saber, por eles terem gostado do meu serviço me colocaram no convênio. Aí por causa desse convênio eu fui trabalhar na delegacia. Trabalhei lá digitando o TCO, que é o tempo circunstancial de ocorrência. A pessoa que cometia um crime ou alguma coisa, vinha a ficha dela e eu entrava no sistema do estado e “sujava” a ficha da pessoa. Fui lá, fiz o curso, fiquei na delegacia, comecei a fazer serviços e gostaram, falavam “você é bom de serviço”.

A delegacia é o pior lugar para se trabalhar em termos da situação e tudo. Os detetives e as pessoas que trabalham ali dentro, por ser um ambiente muito carregado, tem muito problema de saúde. Então, é muita gente que pede licença, por isso tá sempre precisando de gente pra trabalhar, as pessoas não aguentam, emocionalmente vamos dizer. Como estava sempre faltando gente, comecei digitando os termos, comecei a cuidar da cadeia, fazia mapa da cadeia, entrava um preso eu fazia o ofício de entrada, de saída, pedido de dia dos pais, que o preso queria ficar em casa. Comecei a cuidar da entrada e saída da cadeia, de alimentação e tudo. Saiu uma outra escrivã, comecei a trabalhar de escrivão, me nomearam escrivão adjunto. Comecei a tomar declarações, depoimentos, comecei a entender disso tudo. Tinha um delegado que eu gostava muito, comecei a falar a linguagem tão bem dos processos, hoje em dia não lembro mais, os termos que são utilizados, aí ele queria que eu fizesse direito, para continuar e tal.  Fiquei um ano e pouco na delegacia e nisso a prefeitura mudou a administração, precisavam de pessoas para trabalhar na tributação e os colegas de serviço que eu trabalhei falavam “tem um rapaz que trabalhou aqui, deu muito certo, traz ele de volta” , aí voltei para a prefeitura.

A Sonner entrou em 2001 lá em Lavras e eu estava lá e nisso eu saí do convênio, fiquei um ano e pouco fora e voltei. Continuei trabalhando na prefeitura com o sistema da Sonner. Aí eu conheci o Jandson, o Jaderson… Lá na prefeitura, na época que eu era bem mais novo, eu que motivava, vamos dizer assim… Na cidade tinha os campeonatos de futebol entre as empresas, e eu via que tinha os campeonatos e formei o time da prefeitura. Juntei os colegas e falei “vamos fazer um time em nome da prefeitura”. Então, montamos o time para jogar os campeonatos e o Jandson gostava de futebol, o pessoal na época todo mundo gostava de futebol. Aí eu entrosei e conheci eles, tinha implantação lá mas não tínhamos intimidade, só chamava pra jogar bola e tal. Eu que ficava de alugar o campo e a gente jogou muitas partidas lá. Chegou em 2006 e depois eles implantaram, saíram, faziam uns 4 anos que já tinham implantado e eu não sabia… Se me falassem quem era Jandson e Jaderson eu não sabia. Conhecia na época o Marcelo, que foi mais ligado na tributação, o Hilton, mas os donos não. Eles estavam implantando e como eu era funcionário público, eu nem sabia que eles eram donos da empresa. Eu jogava bola com eles, mas não sabia quem eram os donos da Sonner nem nada.

Quando chegou em 2006, um amigo meu na prefeitura que era mais ligado ao pessoal da Sonner. Ele pedia férias pra poder fazer um trabalho pra Sonner, ele fazia freelance nas férias dele pra Sonner, o Jandson gosta muito dele até hoje. Na época, eu acho que a Sonner estava terminando Bragança, pegando Vargem Grande, fez aquela parceria com a NEC. Estava naquele esquema e a NEC precisava contratar, e eles falando de alguém de tributação e meu amigo me indicou em março de 2006. Ele falou “ eles estão precisando cara, dei seu nome, eles vão te ligar”, isso em março em 2006. Não ligaram, ai também esqueci daquilo e pensei que não tinha nada haver, ai meu colega disse “da outra vez não deu certo, mas liga pra ele agora. Ele é o dono da empresa e chama Jandson”. Aí eu falei “eu conheço o Jandson” mas não liguei. Eu sou muito desacreditado que as coisas venham assim do além e como não estava nem procurando nem nada, falei “ah, não vou ligar pra esse cara… Sei lá, ele é dono da empresa, essa história não existe, não vou ligar”. Acho que era uma terça feira, umas 3 horas da tarde, meu amigo disse “liga pra ele”, mas não liguei. Umas 2 horas depois o Jandson me liga: “Seu amigo me passou seu contato e tal.” Perguntei como era o serviço, se tinha que viajar, ele disse “tem que viajar!” Aí, na minha cabeça já veio: “vou ter que ficar um ano fora de casa” Aí eu fui fazendo as perguntas boas pra ele “Vou ficar fora de casa… mas e aí? Preciso comprar alguma coisa? E pra comer? Como vai ser o salário? Os gastos são meus?” Comecei a perguntar isso tudo e o Jandson falou: “Não… não se preocupe,” daquele jeito dele de facilitar tudo, “Não se preocupa, até o sabonete que você gastar vai ser por conta da empresa” Aí eu falei “então tá.”

Na época, o salário mínimo era 300 e poucos reais, eu ganhava acho que 500 e perguntei “Quanto é o salário?” e ele falou “Quanto você ganha?” Aí eu falei 500 e ele disse “Então te pago o dobro” aí eu falei “então eu tô indo!”

Desliguei o telefone, falei com meu pai, eu morava com meus pais, eles não estavam sabendo de nada, acharam estranho. O cara que me ligou oferendo emprego, ter que viajar… Até então eu nunca tinha saído de casa, o que aconteceria, eu iria sair no mundo mesmo pra começar a trabalhar e tal, aí eu falei pra minha mãe e ela disse “isso é tudo mentira, ninguém vai ligar oferecendo um serviço desse, você é doido? Os caras tão lá pro lado de São Paulo.”

Como foi o seu processo de aprendizagem com a tributação até você se tornar o Suporte Especialista de hoje?

Na verdade eu comecei em Bragança, fiquei 2 meses com o Marcão… Você me perguntou das pessoas que influenciam e eu falo isso pro Marcão até hoje, pra mim tem algumas pessoas na vida que te ensinam muito, pra mim em termos de Sonner eu tive duas pessoas que me influenciaram muito, uma é o Marcão. Porque quando eu cheguei na Sonner, os problemas chegando, todo mundo, os funcionários da prefeitura, o gerente, os diretores da empresa querendo resultado e ele numa tranquilidade falando “cara vamos analisar isso aqui”. A gente sentava e parecia que estávamos fazendo piquenique na beira da cachoeira, achava a solução pra aquilo e pegava o próximo… Eu aprendi muito isso com ele, de ter paciência pra resolver, pra testas as coisas… Hoje em dia, muitos suportes ligam, parceiros nossos… Participei da licitação essa semana, que eu fiquei parado e uma pessoa precisando de uma solução… A gente tem base de homolog. Se ela tivesse ido lá e testado, ela tinha achado, eu falo “é só você fazer isso, isso e isso” e ela “mas será que vai dar certo?” e eu falei “faz no homolog e vê se dá certo”, ela fez e deu certo ai eu falei “tá vendo, se você tivesse já testado, tinha dado certo” Então, falta muito isso. Eu estou há muito tempo na Sonner, fora da Sonner eu já mexo com sistema há seis anos e até hoje qualquer coisa eu testo, “a certidão não tá funcionando”, eu vou lá testo, faço as simulações, então assim não existe muito o suporte especialista, existe o cara que testa, que tem conhecimento daquilo e testa.

Nas implantações, quando vou implantar uma cidade, aí falam: “esse cara aqui vai te ajudar, ele vai ser o suporte que vai ficar aqui na tributação”. Então, o que eu falo pra eles e pra todo mundo no dia a dia “Cara, você sabe o que é ITBI?” “não, não sei nada” “você tá na prefeitura?” “tô” Então, se você chegar aqui de segunda a sexta e tirar uma hora por dia pra ir lá no setor de ITBI e perguntar: “Eu posso ficar aqui e ver como vocês trabalham?” Vão falar que pode, pergunta “como você fez?” Em uma semana você vai estar dando aula de TBI.

Depois você pega outro setor, o que é um ISS, o que é um alvará. Então, o suporte na prefeitura, eu acho que como eu trabalhei implantando, você fica 8 meses em um, 6 meses em outro, 3 meses em outro, você tem muita condição de aprender. É ali que você tem a escola, ali que acontece, ali que você vê o resultado se o sistema está dando certo ou não, se o cara tá satisfeito com o sistema ou não, é ali que você vê. Então, é ali que o cara aprende. Implantação é diferente, você não vai aprender porque você já tem que chegar sabendo, você tem prazo pra cumprir, não vai deixar a prefeitura, aquele não é o lugar pra você aprender, tem que chegar e fazer, então muita coisa do sistema é testar mesmo. As pessoas têm medo de testar as vezes, é chato. A parte tributária, se alguém liga e fala que o sistema tá cobrando juros errado, é trabalhoso, vai ter que ir lá ver as configurações, ter que gerar, recalcular, fazer na caneta o cálculo pra ver se o sistema tá calculando certo.

Outros suportes que já estão trabalhando acham que você aprende na implantação e eu já acho que é totalmente o contrário. Se você está em uma prefeitura, o melhor lugar de você aprender é ali. Mesmo já trabalhando na época 5, 6 anos de prefeitura só em sistema tributário, já conhecendo, ainda assim eu tinha dificuldade de implantação. Porque você sai daquele cliente para outro, as regras mudam. Eu tinha ficado um ano e meio sem mexer no sistema, quando cheguei lá eram outras telas, tinha muito recurso que eu nem sabia. Eu lembro que eu comecei a fazer os atendimentos em prefeitura, ensinava as pessoas e elas falavam “não, mas aqui é muito mais fácil” Elas sabiam mais do que eu em questão de telas que já tinham surgido e eu não estava sabendo e fui aprendendo por ali. Independente disso fiquei lá 8 meses substituindo e deu certo. Nesses 8 meses eu que fiquei a frente da tributação teve problemas, porque eu não sabia do sistema. Tinha conhecimento mais de legislação né… Para fazer implantação na parte de tributação, tem tributação que você tem que e entender não adianta, e eu não tinha isso. As vezes a secretária ficava nervosa com isso e até hoje essa é a maior dificuldade, até pra gente contratar pessoas ligadas a tributação não adianta, pra mexer em tributação, contabilidade, RH, você tem que ter uma vivência, um tempo, tem que ter um conhecimento de legislação e tudo.

Como foi o processo de desenvolvimento do sistema de fiscalização?

As ferramentas, eu sempre sugeri, por exemplo, o sistema de fiscalização começou a sair tem 2 anos. Mas, eu lembro que 2012 eu mandei um e-mail pro Jandson descrevendo o sistema. Olhando hoje, na verdade, foi uma descrição bem simplória do que eu achava na época. O sistema de processo judicial, por exemplo… Eu tava em Bragança e veio uma empresa apresentar o sistema e eu assisti a apresentação deles e eu vi que esse era um sistema que a gente podia fazer. Passei a ideia pro Jandson, peguei os layouts do cara e eles desenvolveram o sistema, eu acho que eu tive um início ali. O sistema de protestos, vários clientes também já solicitando, começou por causa de Araguari e eu acho que nós estamos a frente de muitos concorrentes, não sei de uma empresa que tem esse sistema de protestos, se tiver com certeza foi depois da gente.

O que aconteceu em Araguari, o cartório entrou na justiça contra a prefeitura porque a prefeitura pegava seus débitos e levava para a execução, montava um processo judicial que tem um custo para a prefeitura. Sendo que no protesto ela recebe aquilo sem custo. Então, ele entrou com uma ação como se a prefeitura, o prefeito tivesse perdendo dinheiro. Aí a prefeitura jogou a culpa na gente, estávamos implantando o sistema na época, sendo que eles nem tinham licitação para protesto nem nada, mas eles ficaram tão apertados que jogaram “ah o sistema que está aqui não emite CDA”. A coisa mais básica do nosso sistema é emitir uma CDA. Tive que ir lá no fórum para falar que o sistema emite uma CDA, liberar as CDAs e ir lá na outra semana entregar as CDAs, pra você ter ideia. Mas aquilo ali foi bom porque percebemos que eles estavam precisando de um sistema de protesto e foi ali que a gente começou o início do sistema de protesto.

Algumas ferramentas que nós colocamos que são muito funcionais em termos de arrecadação, principalmente, os clientes acabam que não veem isso e as vezes os suportes também não. Nós temos uma meta e nós temos a ideia de querer ajudar, de querer fazer, de querer correr atrás, acoplamos aquilo na estrutura que a gente tem e as vezes eles falam: “ah mas eu queria que fizesse isso” E nós temos que explicar que temos um núcleo, que a gente não pode mudar a estrutura… Eles perguntam porquê e falamos que não vamos conseguir atender, ainda mais na urgência que foi enviado aquilo.

A maioria dos módulos e quem trabalha como suporte na Sonner sabe e as prefeituras que são mais parceiras enxergam isso, que muitas coisas a gente faz nem é pelo dinheiro. Eu vejo que a empresa não faz pelo dinheiro, a maioria dos clientes hoje se quiserem usar um novo sistema de fiscalização, raramente a Sonner vai cobrar isso (os que já são clientes), porque é no intuito de ter a ferramenta sendo utilizada. Então, os parceiros de fato entendem que aquilo ali foi feito para eles poderem trabalhar e a gente sempre pensa na melhor maneira de fazer, mas também nós temos uma estrutura que já utiliza daquelas ferramentas que a gente tem que acoplar.

Quais os principais desafios para a área da tributação na gestão pública municipal?

O que eu vejo para a área tributária dos municípios é que tem muitas prefeituras que complicam. Tributação, as prefeituras que eu vejo que dão mais sucesso que conseguem arrecadar, por experiência própria que eu trabalhei na prefeitura em Lavras na época, foi uma das administrações que eu trabalhei que mais arrecadava e era simples a forma de cobrança.

Hoje, nas prefeituras eu vejo muita gente preocupada em fazer isso, fazer aquilo, ter isso ou aquilo, tem muito recurso, tem muito relatório, tem muita ferramenta, mas não tem a prática. E as coisas de arrecadação são simples, você tem um orçamento e a cobrança. O fato de você enviar uma cobrança ou de você pegar e montar um processo de cobrança, acabou. A sua arrecadação começa a andar em dia. E muitas prefeituras que não fazem a cobrança,  não olham para os dados que têm, não olham para o recurso que têm e ficam querendo criar “preciso aumentar arrecadação” e eu falo “não cara, a ferramenta tá aí, é simples, para você enviar a cobrança, gerar processo, gerar protesto, é mais fácil de você receber.” Outra questão hoje em dia que tudo é online, então não tem como a tributação fugir disso.

Eu vejo que, até pra nós da área de sistemas, não só a nossa empresa mas outras empresas também, tem muito o que melhorar na parte de cobrança, online principalmente. Em ter facilidades ne? Porque a pessoa que quer pagar, essa foi sempre a conversa na época que eu trabalhava na prefeitura, o cara que quer pagar, a gente tem que estender um tapete vermelho para ele, facilitar a vida dele pra pagar. Tem muitas empresas concorrentes que ficaram no meio do caminho porque não estão conseguindo acompanhar, a estrutura delas na hora que teve que colocar recursos online não conseguiram. Conheço quatro empresas que trabalham no sul de Minas, acabou. Elas estão naqueles clientes que ainda estão, sem muito serviço, porque para elas fazerem é outro sistema, elas não dão conta acoplar na estrutura delas e não tem pessoas capacitadas para fazer essa mudança.

Então, nós temos hoje muito serviço, já tínhamos cobrança judicial online, protestos, segunda via de quase todos os documentos, sistema de nota eletrônica, praticamente faz tudo… Agora, com o sistema de fiscalização sendo melhorado, é um sistema online que faz tudo. Sistema de Atendimento. Hoje, muitas prefeituras estão usando e gostando, não foi feito para tributação mas a gente conseguiu acoplar na tributação também. E foi uma conversa que eu tive com o Jander, não lembro em qual prefeitura, se não me engano foi em Bragança ainda, quando eu questionei ele “mas o sistema não foi feito pra isso” e acabou que dali muita gente usa. O Protocolo, por exemplo, ligado a tributação. Você cria um assunto que vai ser usado online para atendimento. Porque uma coisa é você colocar um serviço online, outra coisa é você colocar um atendimento online, a pessoa vai atender, documentos vão chegar, ela vai fazer o atendimento, ou seja, o serviço dela vai continuar existindo, mas de forma online e eu acho isso um diferencial enorme. Tem lá o alvará online, mas qual empresa pode entrar lá? Pra ela solicitar o alvará ela precisa ir na prefeitura? Pra apresentar documento precisa ir na prefeitura? Então, se for assim ela já vai na prefeitura e já pega o alvará… Então, 90% é presencial e 10% é online? Não resolve muito… Já hoje não, você consegue fazer tudo online, da entrada a saída.

Participei de uma licitação agora que a gente acrescentou um monte de coisa no sistema, onde o fiscal que vai ser liberado no sistema pra ser o fiscal ele já existe no RH. Então, eu já libero ele, ele já recebe o e-mail pra verificar, tramitei o processo pra ele, ele já vai receber o e-mail dizendo aquele processo é dele, ele já pega as notas do sistema de notas, ele precisa consultar leis ou acrescentar leis em uma auto dele, ele já pega isso do sistema de legislação, ele montou um processo e precisa gerar guia, já manda isso pro sistema de tributação, o cara não pagou, o sistema de tributação já joga isso em dívida ativa.

Tem prefeitura hoje que ainda tá apanhando em questão de gerar guia e receber essa guia, porque os sistemas não conversam. Tem o sistema de nota que é de uma empresa, outro sistema que é de outra empresa, eles não conversam, gera uma guia que essa guia não está na parte de baixo, tem que achar dos dois lados. A maioria abre a empresa e faz o cadastro no atendimento da prefeitura, quer emitir nota, aí tem que pegar o alvará que a prefeitura deu, ir lá no setor de fiscalização pra eles cadastrarem no sistema de nota. Gerei uma guia, aí a baixa não comunica no sistema, tem que processar os dois, para contabilizar tem que gerar um relatório em um, gerar no outro. Tem prefeituras que quando aquele sistema de notas, as empresas que não pagaram, para jogar em dívida ativa ela vai jogar no Excel passando pra gente importar aquilo ou passam para a prefeitura digitar aquilo. Século XXI e eles me fazem um serviço desse, então é o que eu falei, para a tributação as coisas têm que ser simples.

O cliente mais chato

Eu estava pensando, mas não tive nenhum cliente pé no saco, chato não… Eu já tive clientes que cobravam mais, mas até que é bom porque depois você olha e aprende mais também. As vezes a cobrança vem e você fala “nossa, mas que cara chato” Mas quando você vai analisar, depois que conseguiu entregar e fala “É, isso realmente era necessário” Então, clientes que eu tive dificuldade de implantar e as vezes por ser longe, na época tinha que pegar ônibus, ter que viajar a noite inteira em um domingo pra chegar lá segunda cedo e problemas de implantação as vezes com a nossa estrutura, estrutura do cliente… Tive muito problema em Itapetininga, mas também porque já cheguei lá no meio de um problema: a implantação não tinha acontecido. Então, a prefeitura reclamando, do nosso lado as vezes falta um pouco isso, principalmente em implantação, de alguém chegar ali, voltar lá no Marcão “pera ai, vamos com calma aqui, analisar o que é a situação, a prefeitura tá reclamando, os analistas tão reclamando, o que tá acontecendo? Vamos pegar tudo, o que dá pra gente resolver?”, dissolver aquilo. Então, é mais nesse sentido. Lá em Teixeira de Freitas também foi uma situação bem complicada, uma guia que você emitia não saía, os dados importados não batiam, os documentos não estavam configurados… Eu fui lá para implantar o sistema de notas somente e devido a situação lá, o desgaste já com o nossos suportes que estavam lá, tudo que eles falavam a prefeitura já não aceitava. Então, o Jandson me liga “Cara, assume essa tributação aí pra mim.” Era super problemático, uma situação super complicada, que dali para frente eu tive outras visão por parte da empresa. Estava chato, estava horrível, estava péssimo, virei noite, final de semana a gente lá, fiquei um mês sem voltar em casa, fui lá fazer uma nota e fiquei um mês e dez dias em vir em casa, mas que no final das contas gerou vários resultados profissionais na Sonner dali pra frente.

Cliente que mais agregou

Todo cliente sempre agrega alguma coisa, os sistemas tem um pouco de todo mundo na verdade, dos suportes, de clientes, sempre tem. Mas os clientes que mais agregaram: Pouso Alegre agregou muito em partes de dívida ativa, a gente fez muita coisa no sistema, Bragança também agregou demais. Na época de Bragança, a Secretária lá era muito competente e fizemos muitas melhorias no sistema, não só tributárias, mas no Sistema de Notas, Sistema de Processo Judicial. Araguari agregou demais quando saiu o Sistema de Protesto, Lagoa Santa também. Por exemplo, alguns sistemas como o de Protesto, o Thiaguinho lá em Lagoa Santa, a Giane em Araguari, eles conhecem mais a fundo que eu, eu conheço o sistema mas eu não lido com ele no dia a dia, sabendo os problemas que estão dando, o que está sendo resolvido, pego uns dias testo, mas eles tem a prática né. No começo do sistema o Thiaguinho assumiu, implementou muita coisa com o pessoal de Araguari, então eu acho que Bragança, Pouso Alegre, Araguari, agregaram muito. Lagoa Santa mesmo tem muitas solicitações deles que agregam até hoje, agregam muito no sistema, a gente queria até atender mais, mas depende de uma mudança nossa estrutural do sistema para gente fazer.

História engraçada

Teve o caso do Neander também, dele colocar o Caê, na época acho que ele era mais fominha, hoje em dia acho que deu uma melhorada. Quando começou a viajar, acho que ele pensou “vou comer tudo que tiver direito nessas viagens” Então, comprava o Quik e o Quik era dele, ele escondia lá atrás do copos que ninguém pega. Aí por causa disso, uma vez o Neander em Bragança pegou e meteu sal no Quik dele e misturou. Ele tinha saído pra correr eu acho, aí voltou, fez lá o Quik dele e achou esquisito, acho que ele pensou “vou jogar mais Quik aqui pra melhorar” e começou a jogar e o trem só ficava mais salgado e ele ficou bravo, saiu esmurrando parede… rsrs Todo mundo começou a rir, teve um monte de coisa assim. Fizeram a mesma coisa com o Nildo lá em Teixeira, meteram pimenta no arroz integral que era só do Nildo, colocaram pimenta no arroz dele e beleza, todo mundo lá na mesa sentado, só que a gente não sabia, quem fez não contou, foi na panela e encheu de pimenta e o Nildo chegou, fez o prato dele e colocou pimenta e comeu, achou que tinha colocado muita, e jogou mais arroz pra dissolver a pimenta, aí jogou mais arroz e ficou mais ardido, saiu um quebra pau rsrs.

Colegas que inspiram

Então, eu até falei do Marcão, uma das pessoas que me influenciou muito no jeito de trabalhar, de ter calma pra trabalhar, de ter calma de analisar as coisas, de ter calma pra testar as coisas… Mas, eu gostaria de falar do Jandson, um momento que pra mim foi um divisor ali. Eu lembro que estávamos em Pouso Alegre implantando a tributação. Na época, a gente tinha 3 prefeituras ao mesmo tempo, Pouso Alegre, Guaxupé e Andradas, e tava faltando gente inclusive pra começar. Comecei a treinar um colega nosso na época, depois ele tocou a implantação em Guaxupé e não tava tendo muito como trocar ideia com os outros analistas, que a gente faz muito isso… Eu tava com um problema lá em Pouso Alegre, na fórmula do IPTU, que eram 3 páginas de fórmula e eu olhava pra aquilo e não conseguia sair daquilo e o Jandson: “Cara, você já passou pro Hilton como que é calculado o IPTU?” e eu falei “cara não passei”, acho que ele olhou e pensou “esse cara tá com dificuldade” e falou “vem cá comigo” e pegou me levou lá na frente da Secretária, pegou a lei deles e falou “Nós queremos implantar o seu IPTU, como que é sua fórmula de cálculo?” e nem ela sabia e falou “a fórmula de cálculo aqui é muito complicada, leva vários fatores, vou chamar um funcionário nosso aqui do setor de tributos que é inclusive professor de matemática pra te explicar.” Ele sentou ali comigo e com o Jandson, o Jandson foi perguntando pra ele, ele foi falando, fazendo e aquilo ali pra mim me deu um Start, falei “o cara é o dono da empresa, ele não precisava fazer isso e ele pegou praticamente na minha mão e fez.” É aquele negócio de você ir lá e fazer, então a partir dali eu nunca mais tive dificuldade em nada na vida vamos dizer assim, porque foi muito bom olhar o Jaderson, o Jandson o Jander, uns caras que não precisam e eles pegarem e fazer, então isso pra mim foi muito significativo, mudou minha vida ali.

Conselho aos novatos

Pelos 15 anos que eu tenho na empresa, pelo conhecimento que eu tenho, se você quer crescer, se você é aquela pessoa que fala “eu vou ficar nessa empresa porque eu quero fazer minha vida aqui dentro”, é isso. Entra, tá na prefeitura? Aproveita pra aprender, simples, é prazeroso, você vai ver que não perde nada de correr atrás. Tendo as oportunidades, começa a ajudar, fala pra empresa, liga pro seu gerente, liga pro Jandson, pro Jaderson, pra Larissa, fala “eu sei disso, sei daquilo, se precisar me chama.” Acho que é por aí… Eu nunca cheguei no Jandson e no Jaderson e falei que precisava de um aumento. Uma vez cheguei no Jandson e falei “cara, queria ter oportunidade na empresa, preciso melhorar minhas condições, se você ver que precisa fazer mais coisa você me fala” e eu acho que é por aí, tudo, a vida é assim. Lá na casa do meu pai, todos os nossos primeiros empregos foram sem salário, meus irmãos hoje todos trabalham bem, eu comecei também “posso ficar aí um mês pra aprender e tal?” e foi desse jeito. Trabalhei de AutoCAD, que eu fazia o desmembramento, eu fiz um curso de AutoCAD, fui em um escritório de arquitetura, trabalhavam duas arquitetas lá e falei “não sei mexer em AutoCAD, mas eu fiz um curso, eu poderia ficar aí uns 3 meses com você pra ajudar vocês e eu aprender?” Fiquei lá 3 meses ajudando elas sem ganhar nada, aprendi e me ajudou muito na época. Hoje em dia nem sei mais como que é o negócio, mas é isso, se você achar que tudo é por dinheiro você não vai pra frente.

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