Como se preparar para o futuro do trabalho? Reinvenção pessoal e tecnologia

Por Alessandro Santos

Não é novidade que a pandemia afetou nosso trabalho de uma maneira que jamais imaginaríamos. O home office passou a fazer parte do dia-a-dia de muitos de nós. Nós já esperávamos um ano movimentado devido ao período eleitoral, mas que de certa forma, era algo para o qual todos nós estávamos nos preparando.

Mas nada saiu como a gente pensou e toda essa transformação despertou ainda mais em mim a curiosidade e vontade de aprender coisas novas. Sempre fui uma pessoa que ansiava por conhecimento e sempre me orgulhei em ter facilidade de aprender. Contei claro, com a ajuda de muitos colegas que sempre estavam dispostos e abertos a compartilhar seus conhecimentos. Foi essa facilidade e além disso a vontade de aprender, o que me trouxe até aqui.

Quando entrei na empresa, inicialmente como suporte do sistema de saúde, não fazia ideia do tamanho e da complexidade do sistema como um todo. Tinha apenas noção de uma pequena parte da regra de negócio e como deveria funcionar o sistema de saúde. Com o tempo, fui observando que aprender mais sobre outros sistemas e até sobre a parte de instalação do sistema era algo que era importante. Com muitas tentativas e erros, aprendi a criar base de testes, montar o servidor de aplicações e posteriormente o servidor web. Ao ser realocado em um novo cliente, esse conhecimento se mostrou extremamente útil.

Com tanta gente se perguntando em como seria o mundo após a pandemia, como seria o novo normal, decidi estudar como isso afetaria o mercado de trabalho no qual estou inserido. O que observei foi que muito do que estamos vivenciando nos últimos meses já vinha acontecendo, mas que a necessidade de ficarmos isolados acabou acelerando o processo. Por exemplo, dar prioridade aos atendimentos online, o uso de vídeoconferência e o próprio sistema de home-office são tendências já há algum tempo. O poder que a tecnologia tem nesse momento da história e como ela facilita ou afeta desde coisas muito simples até trabalhos mais complexos é surpreendente.

Estamos passando atualmente pela chamada 4ª Revolução Industrial e é importante que estejamos abertos e preparados para viver em um mundo em que a tecnologia avança rapidamente. Trabalhamos numa empresa de tecnologia, e é óbvio que mais do que os simples “usuários” (perdão pelo trocadilho), devemos estar sempre atentos às novidades no âmbito tecnológico que afetam direta ou indiretamente o modo como trabalhamos. É emocionante ver como com a nossa ajuda, a vida das pessoas pode ser transformada.

Li em artigos que a inteligência artificial (I.A) vai acabar com algumas profissões que existem atualmente, principalmente aquelas em que o trabalho exige mais esforço físico ou sejam repetitivas, porém é um engano achar que ela seja nossa inimiga e irá roubar os nossos empregos. A inteligência artificial funciona em camadas, e uma das camadas mais importantes é justamente a do ser humano que precisa treinar essa I.A, como vimos lá no artigo sobre Machine Learning na coluna Tech Talks.

O lado humano nunca poderá ser substituído, pois é algo que sempre estamos aprimorando, como por exemplo, saber se relacionar com colegas e clientes e ter uma boa comunicação, sempre serão qualidades imprescindíveis. Eu, particularmente, sempre fui uma pessoa muito tímida e com dificuldade em lidar com pessoas. Houve uma ocasião por exemplo, em que meu gerente me perguntou se eu teria condições de tocar a implantação do sistema. E eu, com toda a transparência, disse a ele que a parte de sistema eu conseguiria, pois meu suporte especialista havia me treinado bem, mas que precisaria da ajuda dele para tratar da parte política, já eu não era tão bom nessa parte. Após o conselho de colegas com mais tempo de empresa, entendi que não havia motivo pra ter receio de conversar com os gestores, o que importava era ter segurança e conhecimento sobre o assunto.

Até algum tempo, havia a ideia de que deveríamos nos concentrar apenas em uma coisa, que deveríamos focar em uma área e tentar sermos os melhores nisso. Hoje em dia, depois de alguns anos trabalhando com tecnologia e vendo o que se espera dos profissionais no futuro, vejo que essa ideia não faz mais sentido. Não precisamos mais entender somente de redes, programação, banco de dados, compras, licitação, contratos e etc… Cada vez mais, o mercado favorece quem tem múltiplos conhecimentos. Ter trabalhado como analista de suporte de saúde anteriormente me deu a chance de uma vaga na empresa, mas ter uma noção sobre infraestrutura, programação e até design gráfico me ajudaram a me consolidar dentro dela.

As vezes não temos um apoio tão ostensivo por parte do cliente. Porém, saber que nosso produto é bom e que com ele podemos tornar a vida e trabalho das pessoas mais fáceis, acabamos tomando iniciativas que não seriam da nossa competência, mas que ao executá-las, nos auxiliam e enriquecem nossos conhecimentos. Por exemplo, criar um vídeo de apresentação de uma funcionalidade ou de um sistema, sugerir alterações no site do cliente para que ele tenha uma navegabilidade mais intuitiva e facilite o cidadão a encontrar os serviços que precisa ou até mesmo sugerir e ajudar no mapeamento de fluxos de trabalho.

Em conclusão, a vontade de facilitar o trabalho das pessoas e, assim proporcionar melhor qualidade de vida para o cidadão deve ser sempre uma grande motivação. Existem tantas possibilidades a serem exploradas, tantas novidades na área da tecnologia que já existem ou estão sendo desenvolvidas em outros países, que é nossa obrigação, como uma empresa que trabalha diretamente com o setor público e que afeta diretamente a vida de tantas pessoas, pensarmos sempre em inovações e em formas de contribuir com o dia a dia das pessoas.

Marcão at 11:41 am, dezembro 8, 2020 - Reply

Parabéns Alessandro, muito bom seu Artigo e suas palavras são extremamente pertinentes.